10 lições do livro "A Internet do Dinheiro" para vencer o preconceito contra o Bitcoin

 


Estamos em plena era da informação. Dizer isso é chover no molhado. E, em tempos de informações tão abundantes, as lições aqui descritas podem ser aprendidas em outras fontes. Você pode obtê-las em vídeos no Youtube, garimpando aqui e ali pela Internet, em fóruns de discussões ou na mídia tradicional. Tá, confesso que exagerei. Cá entre nós, você dificilmente verá elogios ou informações consistentes da mídia tradicional dirigidos ao Bitcoin, a menos que ele esteja com o preço tão esticado a ponto de romper as fronteiras do sistema solar. Eles apenas focam no preço dessa importante criptomoeda e não no valor (sim, preço e valor são diferentes. O conceito de valor é muito mais abrangente). Então, desconsidere a mídia tradicional como uma fonte quando se trata de criptomoedas. 

Retomando o raciocínio, essa é a era da informação, mas não para por aí. É também a era do frenesi da urbanidade onde cada vez mais o time is money e as pessoas precisam das informações em um formato compilado e objetivo. Esse é o objetivo desse texto e também deste blog: garimpar informações relevantes que eu sei que você encontraria por aí, mas precisaria para isso articular uma boa pesquisa e, provavelmente, pelo menos mais de uma hora do seu precioso tempo. 

o livro "A Internet do Dinheiro" de Andreas M. Antonopoulos traz um compilado de palestras do autor baseadas em sua experiência pessoal. Antonopoulos é um tecnólogo e empreendedor entusiasta do Bitcoin que ficou conhecido por outro trabalho de excelente qualidade, considerado por muitos como o melhor guia técnico para o Bitcoin chamado “Mastering Bitcoin”. Infelizmente, os livros de Antonopoulos como A Internet do Dinheiro costumam ser encontrados por um preço um pouco salgado. No momento em que escrevo essa matéria, ele está sendo comercializado em sua versão física por "apenas" R$ 349,90 na Amazon. No site https://criptoplanet.com.br/ até encontrei baratinho, por R$ 39,90, mas aparentemente as entregas não estão disponíveis para todo o Brasil (pelo menos onde moro eles não entregam). O livro é excelente e eu sei que a ignorância é um material muito mais caro do que o valor do livro. Mas dizer isso para um brasileiro em tempos em que o monstro da inflação impede parte do nosso povo de adquirir até uma cesta básica, chega a ser cruel. A propósito, eu escrevi inflação?! Essa palavrinha maldita tem um bom antidóto que se chama Bitcoin. Sem mais delongas, vamos para 10 lições importantes sobre o Bitcoin e criptmoedas abstraídas desse magnífico livro:

  1. Dizer que Bitcoin é apenas uma moeda digital é como dizer que a internet é um telefone chique - o Bitcoin é mais que uma moeda digital. É também um sistema e uma rede. Nos primórdios da Internet muitos a consideravam um telefone chique pois ainda não tinham dimensão do que poderiam alcançar com ela. Isso é natural quando estamos diante de uma tecnologia disruptiva. Leva tempo até que ela se consolide e mostre a que veio. Parte da população já começa a perceber a revolução que as criptomoedas estão proporcionando. Finanças descentralizadas, NFTs, Metaverso... não tem como parar esse movimento. 
  2. A invenção do Bitcoin, a tecnologia que o torna possível, não pode ser desfeita. Ela cria as possibilidades de organização descentralizada em uma escala nunca antes vista neste planeta - um dos grandes pontos fortes do Bitcoin é a descentralização. O Bitcoin não depende de um banco central ou de uma organização para ser emitido ou mantido. A sua manutenção é feita por uma extensa rede. Não existe alguém a ser atacado. Se uma parte dessa rede cai, como vimos recentemente com o banimento dos mineradores da China, ela acaba se reestruturando e retomando sua antiga força: a força computacional do Bitcoin já retomou seus antigos patamares de antes desse banimento ocorrer (e até o superou). 
  3. Criptomoedas permitem o mesmo fenômeno que vimos com a internet: inovação sem permissão - na data de publicação dessa matéria, o site https://coinmarketcap.com/ contabilizava mais de 16000 criptomoedas. Tem para todos os gostos (aquelas com bons fundamentos e muitas inúteis também). Para lançar um aplicativo na Internet, a menos que este esteja vinculado a uma entidade privada/centralizada como bancos, você não necessita de autorização de ninguém. Apenas desenvolva e lance. O mesmo ocorre com as criptomoedas. Se você vê a necessidade/oportunidade de lançar um token, apenas faça-o. O mercado o absorverá ou não dependendo da sua utilidade e/ou hype do momento.
  4. A Internet pré-comercial de 1991, ela era um antro de ladrões, pornógrafos, piratas e criminosos. Não importa porque a mesma tecnologia poderosa que pode ser usada por um criminoso para promover suas atividades criminosas também pode ser usada por todos nós para fazer o bem, para fazer coisas incríveis em todo o mundo. E existem mais de nós do que deles - um argumento recorrente dos governos e de outros detratores do Bitcoin é que ele é a porta do paraíso para os criminosos. Talvez o Bitcoin esteja mais para a porta do inferno para centralizadores (como os governos). Por isso eles o temem, afinal, como é ressaltado no próprio livro, o que aterroriza os governos em relação ao Bitcoin não é a possibilidade dos criminosos o usarem mas sim a possibilidade do cidadão de bem o adotar. 
  5. Primeiro eles nos ignoram, então eles riem de nós, depois eles lutam contra nós e depois nós vencemos - essa frase encontrada no livro costuma ser atribuída a Gandhi, mas não há fontes que comprovem essa autoria. O fato é que o Bitcoin já foi ignorado nos seus primeiros anos de vida e já riram muito dele e de quem acredita na tecnologia. Exemplo: a revista Veja, em dezembro de 2017 estampou uma matéria com uma imagem símbolo do Bitcoin e a seguinte informação: "Recorte esse Bitcoin e guarde. Em um ano ele valerá mais do que um Bitcoin de verdade!". Considerando que o Bitcoin fechou o ano de 2018 cotado em aproximadamente 3800 dólares,  acho que eles "quase acertaram" ao estilo do que Cleber e Cauan cantam na música de nome "Quase": "E pra te explicar a distância do quase É tipo ida e volta daqui até Marte ♬".
  6. O primeiro grande momento de transformação tecnológica para o dinheiro foi quando o dinheiro deixou de ser usado para o consumo tangível de valor intrínseco, tornando-se algo que se referia ao valor, como uma abstração. Uma das formas mais populares dessas abstrações foi usar metais preciosos para expressar o valor - Outro argumento que os detratores do Bitcoin utilizam é que ele não possui valo intrínseco e é incorpóreo, ou seja, não existe fisicamente. Pois bem: quando o ouro, há milênios atrás, começou a ser usado como moeda, o seu valor era totalmente subjetivo. Hoje sabemos de sua aplicação dentro da indústria. Mas naquele tempo, o seu uso era essencialmente estético. Não se comia ouro e tão pouco havia indústria e chips eletrônicos que justificassem seu uso. Mas havia características no metal, além da estética, que contribuíam para a sua adoção: relativamente fácil de transportar, com boa divisibilidade, permitindo um fácil fracionamento, além de durável ao longo do tempo. E a divisibilidade do Bitcoin? 1 Bitcoin pode ser dividido em 100 milhões de partes sendo que a menor parte é chamada de Satoshi em homenagem ao pseudônimo de seu criador. Duração do Bitcoin? enquanto a Internet durar no planeta terra, o que eu presumo que aconteça pelo menos até que a raça humana seja extinta. E que valor pode ter algo que só existe digitalmente? O valor do Bitcoin está em sua tecnologia e em toda a filosofia de liberdade que trás consigo. Inclusive, o Bitcoin é ainda mais escasso que o ouro: Só existirão 21 milhões de unidades e isso não pode ser alterado. O ouro ainda pode ser minerado. Além disso, para os que dizem que é um problema o Bitcoin só existir digitalmente, uma consideração: a maior parte das moedas estatais só existe digitalmente 😏
  7. Bitcoin é apenas uma tecnologia. Muitas vezes, o primeiro uso que uma tecnologia encontra é nas mãos de criminosos. Os primeiros carros foram usados como veículos de fuga. Os criminosos utilizam a mais avançada tecnologia porque eles operam em um ambiente com margens de lucro muito altas e de muito alto risco - Se criminosos andam usando muito uma ferramenta é melhor observá-la atentamente. Não pelo fato do crime ser algo bom. Mas pelo fato dos criminosos precisarem inovar constantemente, justamente por atuarem em um ambiente de risco. Existem boas possibilidades da ferramenta ou tecnologia utilizada ser promissora. 
  8. A moeda é um objeto da nação. Ela nos impõe uma certa restrição. Não escolhemos nossa moeda; ela nos escolhe - As moedas que utilizamos no cotidiano são de curso forçado. O governo nos enfia goela abaixo. Não seria bom se nós pudéssemos escolher nossa própria moeda?
  9. Nós estamos começando a tratar moeda como um aplicativo, e para fazer isso vamos precisar de interfaces que nos permitam experienciar a moeda unificada, que nos permitam uma única carteira com talvez umas 150 moedas diferentes nela - hoje existem mais de 16000 criptomoedas com as mais diferentes utilidades e para atender aos mais diferentes anseios. Os tempos de monopólio da moeda pelo estado estão chegando ao fim. Temos com as criptomoedas a verdadeira internet do dinheiro, aproximando-as dos aplicativos que instalamos no nosso celular de acordo com as nossas necessidades. Isso é uma verdadeira revolução.
  10. Sobre o Bitcoin não ser escalável: já disseram o mesmo sobre a internet - outra crítica recorrente ao Bitcoin: impossibilidade de atender a uma alta demanda com a velocidade que se espera de uma tecnologia dessas. O Bitcoin foi criado enfatizando-se duas características básicas: descentralização e segurança. Quanto à escalabilidade, isso ficou para ser ajustado ao longo do tempo e de sua evolução. Será que isso é um problema? Vamos traçar um histórico resumido das críticas que a Internet sofreu em relação a sua escalabilidade: Já disseram no passado que os e-mails e os anexos dos e-mails destruiriam a Internet. Já disseram no passado que a Web destruiria a Internet. Já disseram no passado que o VOIP destruiria a Internet. Já disseram que o Youtube destruiria a internet. Já disseram que o serviço de streaming destruiria a internet. Perceba que se dependesse dos detratores, ávidos pela escalabilidade, a Internet já deveria ter morrido há muito tempo. Vocês já devem ter escutado várias vezes que o Bitcoin deveria estar morto não é? Acontece que, como o próprio livro enfatiza, a escalabilidade é um alvo em movimento. Sempre haverá o que escalar, de maneira que o Bitcoin, com a sua grande rede de desenvolvedores, tem desenvolvido soluções para melhoria da escalabilidade como a lightning network

O Bitcoin já foi "morto" várias vezes por parte da mídia e setores econômicos interessados em manter a soberania das moedas estatais. Ele continuará "morrendo", assim como a Internet foi "morta" muitas vezes pelos seus detratores no passado. Finalizo com uma reflexão feita pelo próprio Antonopoulos no livro: "As moedas criptográficas serão o alicerce do nosso futuro financeiro. Você não pode desinventar esta tecnologia. Você não pode transformar este omelete em ovos novamente". 

Comentários